de Redação

A Folha de S.Paulo anunciou hoje que a Confederação Brasileira de Futebol financiará projetos culturais ligados ao futebol até o Mundial de 2014. O primeiro contemplado foi o filme sobre Heleno de Freitas (1920-1959), craque dos anos 40, que teve carreira brilhante e trágica.
A entidade comandada por Ricardo Teixeira vai investir R$ 200 mil no longa do diretor José Henrique Fonseca, que já foi rodado e deverá estrear até o final do ano.
Os financiamentos da confederação terão como base a lei de incentivos culturais. Além de filmes, a entidade pretende apoiar peças de teatro, livros e exposições que tenham futebol como tema.
Com a proximidade da Copa, o mercado cultural com produtos ligados ao esporte deverá crescer. Parte do filme foi vista por dirigentes da entidade antes que aprovassem o investimento na película.
A CBF é a instituição mais rica do futebol nacional. Neste mês, a confederação anunciou um lucro líquido em 2010 de R$ 83 milhões, 14,72% acima do resultado de 2009. O valor é recorde.
Em menos de dois anos, a CBF aumentou o seu lucro em 159,49%. Em 2008, a entidade teve um resultado positivo de R$ 31,989 milhões.
Só com patrocínios, a confederação arrecadou R$ 193,5 milhões em 2010. A instituição tem dez patrocinadores.
O filme contemplado pela CBF conta a história de um dos primeiros jogadores-problema do futebol nacional.
Interpretado na telona por Rodrigo Santoro, Heleno de Freitas foi ídolo do Botafogo nos anos 40. Também jogou no Vasco, no argentino Boca Juniors, no Santos, no colombiano Junior de Barranquilla e no América. Sua carreira terminou em 53, e só jogou uma partida no Maracanã.
Na seleção, Heleno de Freitas disputou 18 partidas e anotou 15 gols.
O ex-jogador frequentou a alta sociedade carioca, estudou no Colégio São Bento, um dos melhores da cidade, e se formou em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro (atual Faculdade Nacional de Direito da UFRJ).
Ele desfilava pela cidade em carros conversíveis, passava as tardes na piscina do Copacabana Palace e as noites em boates e cassinos.
Apesar da vida luxuosa, era explosivo e arrogante. Heleno se envolveu em brigas com adversários, juízes e até com companheiros.
Na época, ganhou o apelido de Gilda devido a seu temperamento exaltado, comparável ao da personagem homônima vivida por Rita Hayworth em “Nunca Houve uma Mulher como Gilda”.
Viciado em éter, Heleno teve a saúde complicada por causa da sífilis. Ele morreu em um sanatório de Barbacena (MG) aos 39 anos, com um único dente na boca, sem reconhecer parentes próximos.

* Com informações do jornal Folha de S.Paulo.

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