Encontros com indígenas em S. Gabriel da Cachoeira (AM) é a última etapa de captação para o longa metragem que deve estrear em 2012.

O compositor, cantor e personalidade pública global Gilberto Gil desembarcou em S. Gabriel no dia 18 de maio, última escala de gravação de um documentário para a produtora suíça Dreampixies, cujo nome provisório é Connecting South, the new world according to Gilberto Gil e tem a direção do suíço Pierre Yves Borgeaud, o mesmo de Return to Goree protagonizado pelo cantor senegalês Youssou N´Dour.

Durante uma semana vivenciou várias situações coletivas de interação filosófica e musical com comunidades e personalidades indígenas da região da Amazônia brasileira que é um verdadeiro planeta indígena, na qual vivem 23 etnias e se estende para a Colômbia e Venezuela.

Palestrou para os alunos, na maioria indígenas, do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), e conversou longamente com Higino Tenório Tuyuka do Alto Tiquié, num final de tarde tendo como cenário o por-do-sol da pedra da Fortaleza, local onde outrora, no tempo do marquês de Pombal, foi construído um forte militar português.

Na “maloca do conhecimento” de Itacoatiara Mirim, localizada na zona peri-urbana de S. Gabriel, na beira da estrada que liga o aeroporto ao centro urbano, Gil esteve por duas vezes. Na primeira conversou longamente com o mestre da maloca Luis Laureano da Silva, que em 1992 liderou a migração de sua comunidade baniwa do Alto Rio Aiari para a periferia da sede municipal e desde 2005, com apoio do ISA, ergueu uma maloca com arquitetura tradicional e anima vários processos culturais com as 28 famílias residentes atualmente. Gil pode experimentar diferentes tipos de flauta.

Gil e o mestre de maloca Luis, diálogo com flautas de pan, conhecidas como carriçu

No sábado 21, Gil retornou à maloca de Itacoatiara e foi recebido com um dabucuri, tradicional ritual de boas-vindas, escutou discursos de várias autoridades, recebeu presentes, bebeu caxiri, posou pacientemente para inúmeras fotos e dançou-tocou carriçu. Encerrou cantando a capela Esperando na Janela, baião do sanfoneiro de Juazeiro do Norte, Targino Godin, acompanhado pelo cajón do percussionista baiano Gustavo di Dalva, há 18 anos na estrada com Gil.

No domingo, a trupe de Gil foi recebida pela comunidade multiétnica, com predominância baré, de Ilha das Flores, a 40 minutos de voadeira pelo Rio Negro, acima de S. Gabriel. Depois do almoço e de um dabucuri, Gil fez uma apresentação acústica na maloca da comunidade, com violão e percussão, incluindo Banda Larga Cordel, Pela Internet, Tempo Rei, Esperando na Janela, Oração pela Libertação da África do Su, uma versão em tukano para A raça humana, cantada pela jovem da região, Sabrina Santos, autora de Apelo que também contou com Gil ao violão, encerrando com Viramundo, em coral com os comunitários.

Gilberto Gil ficou hospedado na sede do ISA e conversou com o blogueiro baniwa Ray e com Laise da equipe de assessoria do ISA

Hoje, Gilberto Gil vai conversar com a população de S. Gabriel na maloca da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), um dos pontões de cultura apoiado na sua gestão como ministro da Cultura, encerrando um giro que começou em Salvador na Bahia (carnaval, Filhos de Gandhi, jovens blogueiros do Midia Étnica), Austrália (aborígenes da região nordeste da ilha-continente) e Johanesburgo e Pretória na África do Sul.

Fonte: ISA

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