Lan houses: produção, distribuição e consumo cultural

Até pouco tempo atrás, havia um certo discurso de que a inclusão digital e cultural pelas lan houses deveria passar pela educação formal, ou seja, os frequentadores deveriam ficar restritos à manipulação de conteúdo online que estivesse dentro desse escopo. Mas hoje, cada vez mais entende-se o entretenimento e a educação andando juntos – por isso, a inclusão digital e cultural também pode vir a partir do YouTube, dos sites de compartilhamento de música, dos jogos eletrônicos e das redes sociais.

Em outras palavras, já estamos conseguindo superar o preconceito em relação às lan houses, principal ponto de acesso à internet no Brasil. Se anteriormente elas eram percebidas como um lugar marginalizado, onde os jovens perdiam seu tempo em jogos eletrônicos e bate-papo em redes sociais (chegando a inspirar leis proibindo sua existência a menos de 1 km de escolas), hoje essas atividades ganharam outro olhar, mais compreensivo e atual. Além disso, alguns serviços empreendidos nas lans são fundamentais para o exercício da cidadania, como envio da declaração de imposto de renda, impressão e cópia de documentos, busca de emprego, entre outros. Nesse processo de criar um outra imagem para as lan houses, destacamos também iniciativas como a promoção de parcerias para prestação de serviços (compra de passagens aéreas, por exemplo), criação de postos de atendimento, além de viabilizar o acesso à internet para grande parte da população.

Formalização: desafio para lan houses e profissionais da música

Esse é um problema dividido tanto por muitas lan houses quanto pela cadeia produtiva da música. No caso das lans, esses espaços não podem ser beneficiários da maioria dessas políticas e ofertas enquanto atuarem na informalidade. Uma das formas de inverter esse quadro é através da figura jurídica do empreendedor individual, já comentada pelo Estrombo aqui neste post.

No caso da música, parte do desafio em criar negócios na área é buscar lugares onde essas parcerias podem ser desenvolvidas – já que as lan houses podem ser trabalhadas como um canal de distribuição importante. As lan houses podem não ter sido criadas com o objetivo de ser um lugar formal para consumo de música, mas é essa uma das principais práticas de seus frequentadores e pode-se criar ofertas e serviços nessa direção. O consumo musical sempre foi extremamente social e as lan houses são lugares de intensa sociabilidade, não só por causa do público que costuma lotar esses locais, como também pelo acesso às redes sociais e outros canais e ferramentas de conversação. Além disso, ela consegue penetração em lugares mais periféricos, onde os canais tradicionais talvez não cheguem com a mesma facilidade.

 

 

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