OS FILHOS DE NELSON

Valberlúcio Pereira

Existe uma frase que sempre usamos quando nos referimos a alguém que herdou um legado de uma outra pessoa. Por isso aqui me refiro a todos nós como OS FILHOS DE NELSON.Mas que legado seria esse que todos nós herdamos ¿ Com certeza seria a continuidade de seus trabalhos culturais e artisticos aqui representados pela casa LABORARTE hoje administrado por sua familia e amigos.Mas o legado da qual me refiro é ainda maior,mais alto e glorioso.É o legado de um pensamento revolucionário, de um artista inquieto e insatisfeito com o ambiente que o cercava e ainda cerca aos seus sucessores.NELSON BRITO representa ainda hoje uma das mais virtuosas atitudes de um artista no mundo contemporáneo ,a atitude de melhorar o mundo em que vive a partir de sua arte.Muitos daqui embora achem que isso seria o papel de todo artista,involuntário ou não,inconsciente ou não,mas Nelson foi além disso.Acreditou quando não era preciso acreditar. As vezes usava as próprias máscaras que a arte lhe dava,criticando costumes, pondo em xeques credos, colocando no seus lugares as ideologias e posições, própriaas de quem acha que é preciso mudar não fazenso nada . Não era de partido,mas nem por isso recusou-se a estar na frente de batalha quando assim era chamado.

Somos Filhos do Nelson.

Nelson estendeu seu legado não só a sua familia, fez melhor que isso ,ampliou sua familia a todos que do LABORARTE fizerem uma extensão de sua casa e “adotou” Nelson como seu Pai.

Nelson Brito era o que melhor poderíamos dizer de um Menestrel. Cantava, fazia narativa , era saltimbanco, poeta popular, era um pouco de nós em tudo que fazia, e além do mais era um bohêmio que recebia em sua casa a nata da cultura popular que até hoje mantem o pensamento desse nosso pequeno ocidente. Sinto falta de personagens como Nelson. Que agora passa a pertencer ao nosso grande imaginário, por isso lembro agora uma grande canção de Milton Nascimento, Menestrel das alagoas,onde faz-me lembrar desse semi-deus, e de seus trabalhos:

MENESTREL DAS ALAGOAS

Quem é esse viajante
Quem é esse menestrel
Que espalha esperança
E transforma sal em mel?
Quem é esse saltimbanco
Falando em rebelião
Como quem fala de amores
Para a moça do portão?
Quem é esse que penetra
No fundo do pantanal
Como quem vai manhãzinha
Buscar fruta no quintal?
Quem é esse que conhece
Alagoas e Gerais
E fala a língua do povo
Como ninguém fala mais?
Quem é esse?
De quem essa ira santa
Essa saúde civil
Que tocando a ferida
Redescobre o Brasil?
Quem é esse peregrino
Que caminha sem parar?
Quem é esse meu poeta
Que ninguém pode calar?
Quem é esse?

Que venha os próximos anos,e que Deus nos abençoe com seus atos sagrados e nos dê de volta toda a esperança que tinhamos quando éramos jovens e que tudo que sonhavámos era permitdo e “alcançável”.

HABEMUS NELSON!

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