Quinze homens atravessaram a sala, com seus rostos cobertos de maquiagem, recitando falas de ‘Tartufo’. O palco era uma sala de recreação de teto baixo e o elenco era formado por um grupo de criminosos que havia acabado de chegar do Centro de Reabilitação da Califórnia.

Durante quatro horas, eles realizaram workshops sob a direção do grupo de Los Angeles Actor’s Gang e liberaram emoções que poderiam ser úteis à farsa de Molière do século 17 – sobre, de forma bastante apropriada, um trapaceiro preparando um golpe.

“Por que vocês estão nervosos?” gritou Sabra Williams, diretora do projeto da prisão, olhando para os atores-presidiários. “Eles me deram uma pena longa demais”, respondeu um dos presos, Ron Reiber, com o rosto vermelho e as veias saltando.

“Agora fiquem felizes!” disse ela. A sala explodiu em sorrisos tolos e braços elásticos, em homens usando macacões da prisão.

Dois anos atrás, a arte em programas correcionais se tornou um pilar em prisões de todo o país, adotada por administradores como maneira de canalizar a agressão, reduzir a barreira racial, ensinar habilidades sociais e preparar os internos para o mundo exterior. Havia um coordenador de artes em cada uma das 33 prisões estaduais da Califórnia, supervisionando uma rica variedade de teatros, pinturas e dança.

Mas esses programas se tornaram uma apagada memória, vítimas da crise orçamentária que atingiu os governos locais e estaduais em todo o país. Em nenhum outro lugar isso é mais real do que aqui, onde as prisões são tão superlotadas que, em maio, a Suprema Corte começou a exigir a soltura de detentos.

“A posição do facilitador de artes foi eliminada”, afirmou Violette Peters, que preencheu o cargo por quatro anos nesta prisão de segurança média no deserto – que, com 4.410 internos, está no dobro de sua capacidade. “Agora sou um analista de casos correcionais. Trabalho no departamento de registros, sem qualquer ligação aos programas de artes”.

fonte: TIMES

Leave a Comment