Ana de Hollanda em uma nova polêmica :Ministra Nomeia Valério Bemfica , dirigente da gravadora que lançou seu CD

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A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, está no centro de uma nova acusação, desta vez por causa de suposto conflito de interesses. Ana acaba de nomear para a chefia da Representação Regional do Ministério da Cultura o produtor Valério Bemfica, que presidiu a gravadora CPC-Umes – a mesma que lançou o mais recente trabalho da cantora Ana de Hollanda, o disco Só na Canção (2010), no qual exercita o coté de compositora pela primeira vez, em 14 faixas. Ele também produziu show dela como cantora em 1994.

Reprodução
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Capa do CD Só na Canção. Gravadora da ministra

Bemfica, de 43 anos, sucede o ator e dramaturgo Tadeu di Pietro, que se afastou voluntariamente para retomar projetos na área artística – vai integrar a nova novela das 18h da Rede Globo, a convite de Jaime Monjardim, e estreia o monólogo Da Vinci, Maquiavel e Michelangelo, com direção de Rosi Campos. “Estive nos últimos 4 anos na Funarte e no MinC e tive minha carreira paralisada. Como tenho alguns convites recentes, resolvi aceitar, porque quando o cavalo passa encilhado a gente tem de montar”, disse Di Pietro. Curioso é que Di Pietro considera que, se ficasse, haveria “conflito de interesses” entre sua atividade artística e a atividade de funcionário público, e por isso se afastou.

Bemfica disse ao Estado que saiu do cargo no CPC-Umes e também se desligou da produtora cultural que mantinha e que, portanto, não haveria conflito de interesses em suas novas funções no MinC. Afirmou que a gravadora não está na origem de sua amizade com a ministra e que a Umes só teria três projetos incentivados pelo MinC recentemente. Ele já integrou o conselho da Lei Mendonça, em São Paulo.

Segundo o produtor, a gravadora CPC-Umes, embora seja comercial, não distribui rendimentos a diretores, o que lhe daria um caráter diferente das empresas de mercado. Além de presidir a gravadora que lança os discos de Ana de Hollanda, Valério Bemfica é também ligado ao jornal Hora do Povo, mantido pelo partido nanico PPL (Partido Pátria Livre, antigo MR8, parte do PMDB).

O Hora do Povo tem feito ataques à posição dos ativistas do copyleft, os quais acusa de fazerem o jogo dos interesses estrangeiros. O produtor Bemfica escreveu no Hora do Povo um contundente artigo pró-Ana de Hollanda, intitulado Retirada de Propaganda da ONG do Site do MinC Foi Ato Soberano, tratando da controvérsia entre os defensores do Creative Commons e os defensores do Ecad, postando-se do lado deste último. Mas ele afirma que sua nomeação não se deu por intermédio do partido que integra, mas de indicação pessoal da própria ministra.

Ativistas denunciam que Ana de Hollanda se cerca de gente que tem feito sua defesa em fóruns diversos, ignorando vozes dissonantes. A ministra diz buscar posição conciliatória para driblar crise no MinC, mas denuncia disposição para o confronto. Como disse recentemente no programa do apresentador Jô Soares, ela se acha vítima de uma “violenta conspiração”.

Valério Bemfica afirmou que as decisões artísticas da gravadora CPC-Umes não lhe cabiam, mas sim ao diretor artístico da gravadora, Marcus Vinicius de Andrade. Amigo da ministra, o maestro Andrade fez arranjos para seu primeiro disco e, como outros colaboradores de Ana, é ligado ao Ecad por meio da Associação de Músicos, Arranjadores e Regentes (Amar-Sombrás), e tem sido um dos que mais combatem publicamente a ideia de se fiscalizar o Ecad.

A reportagem do Estado entrou em contato por telefone ontem com Nei Bonfim, chefe da Comunicação do Ministério da Cultura. Bonfim estava em Bruxelas, Bélgica, acompanhando a ministra em viagem oficial, e ficou de obter uma posição dela em relação à nomeação de Bemfica, mas até o fechamento desta edição não entrou em contato para comentar.

A gravadora CPC-Umes é bancada pela União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (Umes). Sua atividade é bancada com dinheiro arrecadado com a emissão das carteirinhas de estudante. Em 1999, quando começava suas atividades, cerca de 20% do total arrecadado era destinado à cultura – metade desse porcentual ia para artes cênicas e a outra metade era dividida entre o selo CPC-Umes e demais atividades (como eventos, filmes, livros, etc.).

Crédito da reportagem: O ESTADÃO

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