Como é a aplicação do dinheiro público em atividades culturais na sua cidade?

Alexandre Barreto, Produtor Cultural independente, analisa a declaração do atual  Secretário de estado da Paraíba,Cantor Chico Cesar, sobre a possibilidade da não contratação de bandas de Forró (de plástico) e grupos ou duplas sertenajeas no São João da Paraiba. Leia a declaração e o comentário do alê.

Nas últimas semanas ocorreu um episódio muito construtivo no estado da Paraíba que merece maior visibilidade, para além da mera polêmica.Durante uma entrevista realizada na manhã da terça-feira do dia 12 de abril, na Rádio Paraíba FM, o músico e compositor Chico César, atual Secretário de Estado da Cultura na Paraíba, declarou que bandas de forró de plástico e bandas sertanejas não estarão na pauta de contratações do Estado para shows nos festejos de São João no Estado.

A declaração, independente de concordar ou não com ela, surtiu um efeito muito positivo. A discussão entre os que apoiam a posição de Chico César e os que são contra colocaram o debate sobre a aplicação dos recursos públicos em cultura na lista dos assuntos mais comentados no Twitter na última terça-feira.

Para mim, o assunto ter subido ao topo do ranking do Twitter mostra:

– que a população brasileira está mais atenta e não “apática e conformista”, como muitos alegam;

– que o assunto cultura pode (e deve) ocupar mais espaços;

– que a população está preocupada com a forma como são gastos os recursos públicos;

– que é preciso fomentar mais canais para distribuição de conteúdos culturais, para se buscar harmonizar a tensão entre tradição e inovação.

Chico César aceitou o convite da TV Arapuan da Paraíba e participou de um programa de debates, no qual explicou as razões que embasam a postura adotada. Além disso, divulgou uma nota oficial para esclarecer o episódio, a qual segue abaixo na íntegra.

[início da nota]

“Tem sido destorcida a minha declaração, como secretário de Cultura, de que o Estado não vai contratar nem pagar grupos musicais e artistas cujos estilos nada têm a ver com a herança da tradição musical nordestina, cujo ápice se dá no período junino. Não vai mesmo. Mas nunca nos passou pela cabeça proibir ou sugerir a proibição de quaisquer tendências. Quem quiser tê-los que os pague, apenas isso. O Estado encontra-se falto de recursos e já terá inegáveis dificuldades para pactuar inclusive com aqueles municípios que buscarem o resgate desta tradição.

São muitas as distorções, admitamos. Não faz muito tempo vaiaram Sivuca em festa junina paga com dinheiro público aqui na Paraíba porque ele, já velhinho, tocava sanfona em vez de teclado e não tinha moças seminuas dançando em seu palco. Vaias também recebeu Geraldo Azevedo porque ele cantava Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro em festa junina financiada pelo governo aqui na Paraíba, enquanto o público, esperando a dupla sertaneja, gritava “Zezé cadê você? Eu vim aqui só pra te ver”.

Intolerância é excluir da programação do rádio paraibano (concessão pública) durante o ano inteiro, artistas como Parrá, Baixinho do Pandeiro, Cátia de França, Zabé da Loca, Escurinho, Beto Brito, Dejinha de Monteiro, Livardo Alves, Pinto do Acordeon, Mestre Fuba, Vital Farias, Biliu de Campina, Fuba de Taperoá, Sandra Belê e excluí-los de novo na hora em que se deve celebrar a música regional e a cultura popular”.

Secretário de Estado da Cultura – Chico César

[fim da nota]

E você, já parou para pensar como é a aplicação do dinheiro público em atividades culturais na sua cidade?

Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com

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