Crowdfunding: a participação dos fãs na realização de projetos musicais…

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Todos que se envolvem com produção cultural sabem que conseguir verba para realizar determinado projeto é bastante difícil. O crowdfunding tem aparecido com certa frequência na mídia como uma forma eficiente de financiar projetos de forma coletiva. Ao invés de participar de editais, contar com grandes patrocinadores ou fazer contrato com empresas, realizadores tentam buscar investidores para seus projetos se articulando em redes sociais, recebendo micro-patrocínios.

Essa forma de financiamento também pode gerar bons negócios para a música

Através do movere.me, plataforma brasileira de crowdfunding, o grupo de samba “Sururu na Roda” busca investidores até o dia 25 de maio para a produção de seu novo álbum. Os fãs podem investir quantias pré-determinadas, recebendo uma espécie de recompensa que varia de acordo com o valor depositado. Por exemplo, as pessoas que investirem R$ 5, ganharão um agradecimento no site. Aqueles que contribuírem com R$ 10, receberão uma faixa do álbum por e-mail antes do lançamento oficial. Quem investir R$ 80 nesse projeto do “Sururu na Roda” ganha um encontro com o grupo para tomar um chope em um bar no Rio de Janeiro. Outras recompensas, ainda mais exclusivas, são: assistir a uma sessão de gravação do álbum novo (R$ 200,00), participar de um jantar com o grupo (R$ 400) e até mesmo ganhar um show acústico do “Sururu na Roda” (R$ 5.000,00 ou mais) para 50 convidados. Há também a possibilidade de investir sem receber as recompensas – somente pelo prazer de ver o projeto “sair do papel”.

Um outro caso que vem ganhando notoriedade nos últimos meses é o Queremos. A ideia dessa iniciativa é, através do crowdfunding, financiar a vinda de bandas ao Rio de Janeiro. Ao invés de esperar o investimento financeiro e a boa vontade de grandes produtores, os próprios fãs se articulam para comprar cotas que bancam os custos mínimos, tornando possível a realização do show. Nesse momento, começa a venda de ingressos para o público. Caso a venda de ingressos ultrapasse a quantia total necessária para a realização do evento, esse dinheiro que sobrou retorna para os investidores iniciais que, muitas vezes, acabam assistindo ao show de graça. No caso do Queremos, empresas também podem compram cotas, mas elas não recebem o dinheiro de volta. Até hoje, a iniciativa trouce grupos como The National, LCD Soundsystem, Miami Horror e Miike Snow.

Nos dois casos apresentados, se a quantia pedida não for atingida em prazo mínimo para a realização do projeto, o dinheiro volta para os investidores. Isso quer dizer que você só paga por algo que, de fato, vai acontecer.

Esses financiamentos coletivos na música não são exatamente uma novidade. O Sellaband é um empreendimento europeu, com escritórios em Munique e Amsterdã, que funciona desde 2006. Até hoje, o Sellaband já viabilizou sessões de gravação para 42 artistas, usando o investimento de fãs. Através do site, mas de U$ 3.000.000 já foram revertidos para bandas independentes. Essa mecânica permite que os artistas retenham a posse de seus trabalhos e tenham a liberdade de determinar quais incentivos eles oferecerão aos fãs que investem em sua carreira.

O financiamento coletivo permite que o público se envolva diretamente na produção da música. Cada vez mais os artistas sem o suporte de uma gravadora têm a possibilidade de conseguir incentivos para realizar seus projetos de forma autônoma, colaborativa e sustentável.

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 Fonte:boletim  Estrombo

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