Livros aprovados pelo MEC criticam FHC e elogiam Lula

 FOLHA DE S.PAULO

Livros didáticos aprovados pelo MEC (Ministério da Educação) para alunos do ensino fundamental trazem críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e elogios à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Uma das exigências do MEC para aprovar os livros é que não haja doutrinação política nas obras utilizadas. O livro “História e Vida Integrada”, por exemplo, enumera problemas do governo FHC (1995-2002), como crise cambial e apagão, e traz críticas às privatizações.

Já o item “Tudo pela reeleição” cita denúncias de compra de votos no Congresso para a aprovação da emenda que permitiu a recondução do tucano à Presidência. O fim da gestão FHC aparece no tópico “Um projeto não concluído”, que lista dados negativos do governo tucano. Por fim, diz que “um aspecto pode ser levantado como positivo”, citando melhorias na educação e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Já em relação ao governo Lula (2003-2010), o livro cita a “festa popular” da posse e diz que o petista “inovou no estilo de governar” ao criar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.O escândalo do mensalão é citado ao lado de uma série de dados positivos.

Ao explicar a eleição de FHC, o livro “História em Documentos” afirma que foi resultado do sucesso do Plano Real e acrescenta: “Mas decorreu também da aliança do presidente com políticos conservadores das elites”. Um quadro explica o papel dos aliados do tucano na sustentação da ditadura militar. Quando o assunto é o governo Lula, a autora – que à Folha disse ter sido imparcial – inicia com a luta do PT contra a ditadura e apenas cita que o partido fez “concessões” ao fazer “alianças com partidos adversários”.

Ministério da Educação diz que adota critérios técnicos para aprovar obras
O Ministério da Educação não comentou o tratamento dado a FHC e Lula nos livros. Em nota, listou os critérios técnicos que usa para aprovar os livros, como o que veta obras que “fizerem doutrinação religiosa ou política”. A autora Joelza Ester Rodrigues, do livro “História em Documento”, da editora FTD, afirmou que seu livro é imparcial.

Ela disse que detalhou as alianças com “conservadores” só no caso de FHC porque o contexto do livro deixa pressuposto que os “partidos adversários” aos quais o PT se aliou também eram conservadores. A Abril Educação, que controla as editoras Ática e Scipione, afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que tem uma “política voltada à pluralidade de seus autores e à independência e excelência editoriais”.

O professor Claudino Piletti, coautor do livro “História e Vida Integrada”, da editora Ática, concorda que sua obra é mais favorável ao governo Lula. “Não tem o que contestar”, afirmou. Ele disse que é responsável pela parte de história geral da obra e que a história do Brasil ficou a cargo de seu irmão, Nelson Piletti, que está na Itália e não foi encontrado pela reportagem.

SNI viu elo entre Dilma e grupo armado após anistia
A principal agência de espionagem da ditadura militar (1964-1985) ligou a presidente Dilma Rousseff a uma organização de esquerda com atuação em vários países da América Latina num relatório produzido pouco depois da promulgação da Lei da Anistia, em 1979. O informe foi distribuído pelo antigo SNI (Serviço Nacional de Informações) no fim de 1980 e inclui Dilma entre os participantes de uma reunião que teria sido realizada pela JCR (Junta de Coordenação Revolucionária) em novembro daquele ano, no município de Registro (SP).

Um resumo do relatório consta de uma certidão emitida em 2000 pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) a pedido de Dilma, que usou o documento num processo que lhe assegurou uma indenização de R$ 22 mil do Estado de São Paulo pela tortura que sofreu como presa política na ditadura. Nos anos 70, Dilma participou de dois grupos de esquerda que pegaram em armas para combater a ditadura, o Colina (Comando de Libertação Nacional) e a VAR-Palmares. Ela nega ter participado de ações armadas.

Presidente diz que desconhece organização
A assessoria do Palácio do Planalto contestou o relatório do SNI que inclui a presidente Dilma Rousseff entre os participantes de uma reunião da Junta de Coordenação Revolucionária, em 1979. “Temos a informar que a presidenta não participou da referida reunião de Registro (1979) e desconhece a organização citada”, afirmou.

Inflação terá pico durante disputa salarial
Há apenas oito meses, os metalúrgicos do ABC paulista comemoravam o maior ganho de sua história de disputas salariais. O reajuste obtido, de 10,8%, significava um aumento do poder de compra de 6,3%. Caso queiram – e possam – repetir o feito neste ano, os representantes da categoria terão de pleitear em quatro meses, quando voltarão às negociações com seus empregadores, aumento muito maior, acima de 14%.

Segundo as projeções mais consensuais do governo e do setor privado, a presente escalada da inflação atingirá seu pico justamente quando corporações mais numerosas e influentes no sindicalismo nacional estarão em campanha. Se o 1º de maio é simbólico, o 1º de setembro é concreto para os trabalhadores do país. Trata-se da data-base de metalúrgicos, bancários e petroleiros, para citar apenas os mais importantes e referenciais para as demais categorias profissionais.

Neste ano, a continuidade da trajetória de ganhos salariais – iniciada em 2004 e com recorde em 2010 – entrará em choque com a política anti-inflacionária da administração petista. Em outras palavras, quanto maior for o sucesso das campanhas salariais, mais difícil será o esperado retorno dos índices de inflação aos patamares desejados a partir do fim deste ano. Pelas estimativas de investidores e analistas de mercado pesquisadas pelo Banco Central, o INPC, índice que normalmente baliza negociações, e o IPCA, referência para metas oficiais, chegarão a 7,4% no período de 12 meses encerrado em agosto. Se as previsões se confirmarem, será a maior taxa para o período desde 2003, no primeiro ano de mandato do ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, quando a maior parte das negociações salariais foi incapaz de repor as perdas acumuladas.

Para PT, não há risco real de escalada inflacionária
Num momento em que a condução da política econômica divide o governo, o PT divulgou uma resolução em que afirma que o controle da inflação não pode impor sacrifício ao desenvolvimento social do país. Aprovado ontem pelo Diretório Nacional do partido, o documento diz que os riscos de uma escalada inflacionária são “mais propagandísticos que reais”.

O partido cita a fórmula aplicada pelo governo para contenção da inflação: o casamento de variação da taxa de juros com as medidas de contenção ao crédito. “O combate à inflação, porém, não implica sacrificar as políticas de desenvolvimento social do governo, que requerem um crescimento do PIB entre 4% e 4,5% este ano”, diz a resolução, cujo esqueleto foi elaborado pelo presidente do PT, Rui Falcão.

Dobra crédito do BNDES à micro e pequena empresa
O volume de crédito às MPEs (micro e pequenas empresas) brasileiras está em ascensão. O principal sinal é o saldo dos desembolsos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a esse segmento, que dobrou de 2009 para 2010, pulando de R$ 11,6 bilhões para R$ 23,7 bilhões. Entre as grandes, o aumento chegou a 9,17% (de R$ 112,4 bilhões para R$ 122,7 bilhões). O BNDES é o maior financiador das MPEs.

No cômputo geral do crédito do sistema financeiro, a expansão foi de 11% na faixa dos aportes de até R$ 100 mil – que representa as MPEs – nos últimos 12 meses. O movimento indica fortalecimento dos negócios de pequeno porte, avalia Carlos Alberto dos Santos, diretor técnico do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Para especialistas, o resultado se deve à combinação da estabilidade monetária com algumas ações do governo federal, como o cartão BNDES, que, em 2010, ampliou o limite máximo de R$ 500 mil para R$ 1 milhão por cartão (cada empresa pode ter um por banco emissor).

Procuradoria faz manual para baratear obra pública
Para combater superfaturamentos em obras públicas e reduzir preços de licitações, o Ministério Público Federal vai recomendar a seus procuradores e a outros órgãos de controle a adoção de novos critérios para a fiscalização de editais e contratos. A estratégia inclui a realização de audiências públicas e a elaboração de um manual com as diretrizes.

Os novos critérios têm como base estudos do INC (Instituto Nacional de Criminalística) da Polícia Federal que apontam que as referências oficiais usadas nos orçamentos das obras públicas permitem que construtoras cobrem valores até 25% maiores que o custo real das obras. O movimento do Ministério Público ocorre ao mesmo tempo em que empreiteiras atuam para jogar para cima os índices de preços oficiais, como revelou reportagem da Folha nesta semana.

Colunista Delúbio prefere Lula, mas fala até sobre Dia do Índio (trecho de artigo de Eliane Cantanhêde na coluna Foco)
Condenado por improbidade administrativa em Goiás e réu no processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, o agora novamente petista Delúbio Soares é “colunista” do jornal “Alô Brasília” e do “Diário da Manhã” de Goiânia, além de manter um blog. Ex-tesoureiro do PT, depois banido, Delúbio escreve sobre um leque de temas: Dia do Índio, terremoto no Japão, viagem da presidente Dilma Rousseff à China, e “herança maldita” dos tucanos.

Sua verdadeira obsessão, porém, é o “estadista Luiz Inácio Lula da Silva”, que vetou sua refiliação ao PT no ano passado para não atrapalhar a eleição de Dilma, mas que agora foi decisivo em sua volta. Títulos de colunas: “Uma bomba sobre o Japão fez nascer o Japão da paz”, “Dilma é Lula, Lula é Dilma” e “Campei”, que ele traduz por “brinde de irmãos chineses”.

Sobre “o povo”, é épico: “Há uma luta permanente para se libertar nosso povo dos poucos grilhões que ainda o prendem ao passado e ao atraso. É uma luta de vida contra a morte, do amor contra o ódio, da solidariedade contra a mesquinhez, do progresso contra o atraso”. Petistas acham que ele só assina os textos. Professor de matemática da rede pública de Goiás, dizem que seu forte não é o português.

Créditos: FOLHA

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