Um milhão de espécies estão ameaçadas de extinção, revela novo e alarmante relatório internacional

ais de 40% das espécies de anfíbios, quase 33% dos corais e mais de um terço de todos os mamíferos marinhos estão ameaçados. E pelo menos 680 espécies de vertebrados foram levadas à extinção desde o século 16.

“Ecossistemas, espécies, animais selvagens, variedades locais e raças de plantas e animais domesticados estão encolhendo, deteriorando ou desaparecendo. A rede essencial e interconectada da vida na Terra está ficando menor e cada vez mais desgastada”, ressalta o cientista alemão Josef Settele. “Essa perda é o resultado direto da atividade humana e constitui uma ameaça direta ao bem estar do homem em todas as regiões do mundo”.

Josef é um dos 145 autores, de 50 países, que ao longo dos últimos três anos, compilaram o trabalho de outros 310 pesquisadores e cerca de 15 mil artigos científicos, para elaborar o relatório, divulgado hoje (06/05), pelo Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (IPBES)um órgão independente politicamente das Nações Unidas, criado para o estudo da biodiversidade do planeta.

O documento, bastante esperado, apresenta um “declínio perigoso da natureza, sem precedentes na história da humanidade, e taxas de extinção de espécies em rápida aceleração, com graves impactos sobre a sociedade ao redor do mundo”.

O levantamento afirma que mais de um milhão de espécies de plantas e animais estão em risco de extinção, já nas próximas décadas.

“As evidências impressionantes da Avaliação Global do IPBES, de um vasto leque de diferentes áreas de conhecimento, apresentam um quadro sinistro”, lamentou Robert Watson, presidente da entidade. “A saúde dos ecossistemas, dos quais nós e todas as outras espécies dependem, está se deteriorando mais rapidamente do que nunca. Estamos acabando com as próprias fundações de nossas economias, meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo ”.

Todavia, ainda segundo Watson, o relatório também aponta que não é tarde demais para mudar esse cenário, mas apenas se algo for feito agora, em todos os níveis: do local ao global.

“Através da ‘mudança transformadora’, a natureza ainda pode ser conservada, restaurada e usada de forma sustentável. Por mudança transformadora, queremos dizer uma reorganização fundamental em todo o sistema, através de fatores tecnológicos, econômicos e sociais, incluindo paradigmas, metas e valores”, explicou.

Os cientistas internacionais ressaltam a importância da proteção aos povos indígenas e comunidades locais e seu ancestral conhecimento para enfrentar o desafio.

Planeta em colapso

Entre os principais achados do relatório do IPBES, os pesquisadores destacam os seguintes:

– Três quartos do ambiente terrestre e cerca de 66% do marinho foram significativamente alterados pelas ações humanas. Em média, essas tendências foram menos severas ou evitadas em áreas mantidas ou gerenciadas por povos indígenas e comunidades locais;

– Mais de um terço da superfície terrestre do mundo e quase 75% dos recursos de água doce são agora dedicados à produção agrícola ou pecuária;

– O valor da produção agrícola aumentou cerca de 300% desde 1970, a colheita de madeira bruta subiu 45% e aproximadamente 60 bilhões de toneladas de recursos renováveis ​​e não renováveis ​​são extraídos globalmente a cada ano – tendo quase dobrado desde 1980;

– A degradação da terra reduziu a produtividade de 23% da superfície terrestre global. Cerca de US$ 577 bilhões em safras globais anuais estão em risco, devido à perda de insetos polinizadores;

– Entre 100 e 300 milhões de pessoas estão ameaçadas, por causa do aumento de inundações e furacõesprovocadas pela perda de habitats costeiros e de proteção;

– As áreas urbanas mais do que dobraram desde 1992;

– A poluição plástica aumentou dez vezes desde 1980 – 300 a 400 milhões de toneladas de metais pesados, solventes, resíduos tóxicos e outros resíduos de instalações industriais são despejados anualmente nos oceanos e fertilizantes que entram nos ecossistemas costeiros produziram mais de 400 “zonas mortas”, totalizando mais de 245 mil km2, uma área maior que a do Reino Unido.

Flagrante do impacto do homem sobre ecossistemas e a água do planeta

Fotos: reprodução relatório Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (IPBES)

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